Visite a Coluna do Cordel - CLIQUE AQUI!
Autor: Ivaldo Batista
Há mais de quarenta anos
Nas terras de Caroá
Uns bonitos mamulengos
Passaram a nos cativar
Vou contar esta história
A brilhante trajetória
De nosso MAMUSEBÁ.
Ver um boneco falar
É lembrar a vida mansa
É baú lá do passado
Onde se colhe esperança
É trazer uma memória
Prazer viver esta glória
O sorrir de uma criança.
Pra falar dessa chegança
Uma boneca estudou
Cochichou no meu ouvido
O que ela pesquisou
Achou a história bonita
Disse a boneca ZITA
Reflita o que ela contou.
Tudo assim começou
SEBÁ é Sebastião
Nascido lá em Sertânia
Município do Sertão
Lá na rua Moxotó
Tempo em que o suor
É quem irrigava o chão.
Conforme na certidão
Foi o filho derradeiro
Nasceu em cinquenta e sete (1957)
Dia Vinte de Janeiro
No Estado pernambucano
Junto ao paraibano
Município de Monteiro.
Nordestino brasileiro
Amante da região
Aprendeu muito ligeiro
Pôs arte no coração
É um grande sertaniense
Virou caruaruense
A lei o fez cidadão.
Seu pai é SEBASTIÃO
Sobrenome ALVES CORDEIRO
Sua mãe é Dona RITA
Digo aqui seu nome inteiro
É CORDEIRO DE SIQUEIRA
Foi uma mulher guerreira
E o marido muito ordeiro.
Da união cinco herdeiros
VALDECI e IRACI
ALDECIR e IRACEMA
O caçula é este aqui
SEBÁ, SEBASTIÃO filho
ALVES, realça seu brilho
CORDEIRO vamos curtir.
Sertânia pôde ouvir
O choro deste bebê
Testemunhar sua infância
E o adolescente crescer
SEBÁ, este ilustre filho
Viu estação, trem e trilho
Transportou este prazer.
Lutou ali pra vencer
E conseguiu estudar
“SEBASTIÃO LAFAYETTE”
Era o grupo escolar
Chamado “ABRIGO” irmão
Depois fez admissão
Noutra foi continuar.
Essa outra está lá
Mas hoje é referência
Escola OLAVO BILAC
Lembrança da adolescência
Nessa terra sertaneja
Sertanejo quando almeja
Melhora sua existência.
A vida fez exigência
SEBÁ teve que mudar
No ano setenta e um (1971)
Saiu de lá para cá
Em Caruaru chegou
A cidade o abraçou
Escolheu aqui ficar.
No “ZACA” foi estudar
Falou bem do seu ensino
Lá no Padre Zacarias
Foi aluno vespertino
A noite ia trabalhar
Dureza é enfrentar
Mas pobre tem seu destino.
Desde que era menino
Acostumou-se a labuta
Estudando e trabalhando
Foi grande a sua luta
Este modo de viver
Foi forjando este ser
Lapidou sua conduta.
SEBÁ sempre foi batuta
Sua vida liderou
No chão de Caruaru
Ele muito trabalhou
Labutou nesta cidade
Inda menor de idade
Lembranças acumulou.
Dos trampos que encarou
Lembrou a dura jornada
Trabalhando na FENESA
Encarando a madrugada
Largando as seis da manhã
Pensando no amanhã
Sua luta foi pesada.
Resumindo essa parada
Para não ter que citar
Dezenas de atividades
Em que pôde atuar
Desde a construção civil
Até na ESTUDANTIL
O ÔMI foi trabalhar.
Na cultura popular
Atua concomitante
O sujeito foi valente
Da cultura é um amante
Vemos até hoje em dia
Transmitindo alegria
Do humor é comandante.
Boneca ZITA, adiante
Nem nos fale do fiteiro
E das obras do Metrô
Lá no Rio de Janeiro
Breve passagem no Sul
Volta pra Caruaru
Com nosso mamulengueiro.
Padre Pedro o viu solteiro
E Sebá não escapou
Com a MARIA CRISTINA
CORDEIRO DANTAS casou
Amiga e companheira
Mulher, esposa e parceira
Que Deus lhe presenteou.
Deus do céu observou
E fez tudo que bem quis
Lhe deu MICHELE e EUGÊNIA
SÂMIA e RITA BEATRIZ
São tuas quatro herdeiras
Trabalhe e faça a feira
O principal já te fiz.
Em outra fase feliz
Com “SOLTE O BOI NA RUA”
Encenado em oitenta
Viu que essa “praia” é sua
Com a peça do VITAL
Teve alcance nacional
Deu pra ver “Inté” da lua.
Nessa “VIBE” ele atua
Pra criar tem um motor
Ele fez “ZAPT e ZUPT”
“OLHA PRO CEU MEU AMOR”
Teve “TEATRO GARAGEM
MAMUSEBÁ” é bagagem
É ícone do humor.
Artista assim de valor
Merece apologia
Lembro “CIDADE INVISÍVEL”
“CANCÃO DE FOGO” eu via
Fez também “CANGAÇO NOVO”
Acompanho a voz do povo
Um repeteco eu queria.
Lembro aqui a companhia
“PERNAS PARA CIRCULAR”
Foi deveras a euforia
É possível assegurar
Que o cabra é criativo
Sebá é artista ativo
Na arte de interpretar.
Ele nem pensa em parar
É profissional do riso
Elaborou e montou
Mostrou ser bom de juízo
Criou o MAMUSEBÁ
Um teatro popular
Com essa eu sintetizo.
O “estibado” e o liso
Nesta cidade país
Sentado numa cadeira
De uma plateia feliz
Presepada e gargalhada
Na ESTAÇÃO tem risada
E o povo querendo bis.
A criançada nos diz
Vendo o boneco falar
Dialogando entre eles
Um com o outro “Zoar”
O público ali presente
Tá todo mundo contente
Não quer sair do lugar.
Alguém quis testemunhar
Que SEBÁ é bom que só
KYDELMIR DANTAS lembrou
Do filho do Moxotó
Quão bela interpretação
No papel de LAMPIÃO
Fez SEBÁ em MOSSORÓ.
Num pingo d’agua deu nó
Em sua apresentação
No Brejo em Fazenda nova
No teatro da paixão
Pelo mundo já foi visto
No chão da paixão de Cristo
Viveu esta emoção.
Redobre sua atenção
Que agora vou decifrar
Misturar Sebastião
Com Mamulengo é pra já
Fazendo essa junção
Unidos com perfeição
Resulta Mamusebá.
Jorge Quintino e SEBÁ
Lutaram pra conseguir
No poder legislativo
Uma lei pra Inserir
O “AUTO DAS SETE LUAS
DE BARRO” que continua
Pelas escolas a seguir.
É interessante ouvir
Permitir que tal história
Vida e obra do mestre
VITALINO, já na glória
Filho ilustre da cidade
Exemplo pra humanidade
Perpetue-se na memória.
Tão bela tal trajetória
Em solo pernambucano
Não é só no São João
Essa arte do meu mano
SEBÁ é para cultura
O que na literatura
Representa Ariano.
Junta mulungu com pano
Pincela algum cacareco
Com ornamento e brilho
Nasce logo um boneco
Que no papel é “carniça”
Se brincar de rezar missa
Eu vou contar pra Tareco.
Não precisa ter um treco
Cada qual tem o seu dom
Em Matéria de Boneco
MAMUSEBÁ é tão bom
Falando em titeriteiro
Recordo o mamulengueiro
Da mata norte SOLON.
É show também é do som
Dança eu tenho curtido
E os versos de cordel
Pra eles sou todo ouvido
Artista tem seu papel
Dos bonecos no plantel
Qual é o teu preferido.
Cada boneco é vestido
Todos de forma hilária
Mesmo quando é esquisita
É linda a indumentária
Eu que em nada combino
Vejo em cada figurino
Combinada a identitária.
A fala é literária
Um sotaque regional
Histórias cotidianas
Me sinto ali tão igual
Com esse idiomatismo
Defendo o regionalismo
E a tradição oral.
Desse elenco especial
Tenho a relação inteira
SEBÁ, EDNICE SOUZA
E o EDU OLIVEIRA
Tem o ALLAN SERAFIM
ROSBERG ADONAY é sim
Assistente de primeira.
Temos o GILMAR TEIXEIRA
E ADEILZA MONTEIRO
BOB GOMES, LAURO LIMA
Tem “Cabo” que é presepeiro
RITA ARAÚJO “Lisbela”
ANNE BERTO quem é ela
Me responda bem ligeiro.
Temos mais um cavalheiro
VALTER DE SOUZA O “Amaro”
Com a MARY GUIMARÃES
RITA BEATRIZ um raro
Talento e experiência
THAYMARA é competência
Todo grupo tem preparo.
Cada personagem é caro
No humor autodidata
“Cobra e boi”, “Ninja”, “Luluca”
“Marimar”, “Pirata lata”
“Chiquinha” e “Marieta”
Quem sabe aí dessa treta
É o “Palhaço Sucata”.
Quem souber diga a data
Da próxima apresentação
Pergunte pra “Benedito”
“Otélia” e “Cabo fincão”
O “Tenente Zeca Galo”
“Palhaço Clamobó” falo
“Tessália” é pura ação.
Técnicos trazem emoção
Cada cena se agiganta
Obrigado pelo som
EVERTON, Hyago Dantas
E as quatro recreadoras
Todas manipuladoras
Com devoção nos encanta.
A poesia aqui decanta
Toda alma de menina
De ZIVANEIDE RODRIGUES
ZAIRA DANTAS e CRISTINA
Tem EMILLY BERNARDINO
As quatro e um divino
Brincar com adrenalina.
Sebá ministra oficina
Sua sina é de alteza
A rotina de “SEBÁ”
É dividir tal riqueza
É um sujeito idôneo
É um vivo PATRIMÔNIO
Já provou sua grandeza.
Nosso SEBÁ com certeza
Tem grande capacidade
Quem não viu o seu trabalho
Ainda nesta cidade
Eu faço um desafio
Vamos agora, “PARTIU!”
Ver esta celebridade.
Durante a atividade
Criança faz a festinha
Pois procura a CANTINA
Pede lanche pra “Baixinha”
E Cristina dá uma “SENHA”
O palhaço chama: VENHA!
E dá uma lembrancinha.
Com essa brincadeirinha
Zita acabou de informar
Foi bom ler neste cordel
Que o mamulengo tá lá
Na ESTAÇÃO da alegria
Mamusebá é magia
Vá por lá pra comprovar.
