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MAMUSEBÁ – O mamulengo encantado
Por Cláudio Rocha
Publicado em 06/08/2026 23:52 • Atualizado 06/08/2026 23:53
Coluna do Cordel

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Autor: Ivaldo Batista

 

Há mais de quarenta anos

Nas terras de Caroá

Uns bonitos mamulengos

Passaram a nos cativar

Vou contar esta história

A brilhante trajetória

De nosso MAMUSEBÁ. 

 

Ver um boneco falar

É lembrar a vida mansa

É baú lá do passado

Onde se colhe esperança 

É trazer uma memória

Prazer viver esta glória

O sorrir de uma criança.

 

Pra falar dessa chegança

Uma boneca estudou

Cochichou no meu ouvido

O que ela pesquisou

Achou a história bonita

Disse a boneca ZITA

Reflita o que ela contou.

 

Tudo assim começou

SEBÁ é Sebastião

Nascido lá em Sertânia

Município do Sertão

Lá na rua Moxotó

Tempo em que o suor

É quem irrigava o chão.

 

Conforme na certidão

Foi o filho derradeiro

Nasceu em cinquenta e sete (1957)

Dia Vinte de Janeiro

No Estado pernambucano

Junto ao paraibano

Município de Monteiro.

 

Nordestino brasileiro

Amante da região

Aprendeu muito ligeiro

Pôs arte no coração

É um grande sertaniense

Virou caruaruense

A lei o fez cidadão.

 

Seu pai é SEBASTIÃO

Sobrenome ALVES CORDEIRO

Sua mãe é Dona RITA

Digo aqui seu nome inteiro

É CORDEIRO DE SIQUEIRA

Foi uma mulher guerreira

E o marido muito ordeiro.

 

Da união cinco herdeiros

VALDECI e IRACI

ALDECIR e IRACEMA

O caçula é este aqui

SEBÁ, SEBASTIÃO filho

ALVES, realça seu brilho

CORDEIRO vamos curtir.

 

Sertânia pôde ouvir

O choro deste bebê

Testemunhar sua infância

E o adolescente crescer

SEBÁ, este ilustre filho

Viu estação, trem e trilho

Transportou este prazer.

 

Lutou ali pra vencer

E conseguiu estudar

“SEBASTIÃO LAFAYETTE”

Era o grupo escolar

Chamado “ABRIGO” irmão

Depois fez admissão

Noutra foi continuar.

 

Essa outra está lá

Mas hoje é referência

Escola OLAVO BILAC

Lembrança da adolescência

Nessa terra sertaneja

Sertanejo quando almeja

Melhora sua existência.

 

A vida fez exigência

SEBÁ teve que mudar

No ano setenta e um (1971)

Saiu de lá para cá

Em Caruaru chegou

A cidade o abraçou

Escolheu aqui ficar.

 

No “ZACA” foi estudar

Falou bem do seu ensino

Lá no Padre Zacarias

Foi aluno vespertino

A noite ia trabalhar

Dureza é enfrentar

Mas pobre tem seu destino.

 

Desde que era menino

Acostumou-se a labuta

Estudando e trabalhando

Foi grande a sua luta

Este modo de viver

Foi forjando este ser

Lapidou sua conduta.

 

SEBÁ sempre foi batuta

Sua vida liderou

No chão de Caruaru

Ele muito trabalhou

Labutou nesta cidade

Inda menor de idade

Lembranças acumulou. 

 

Dos trampos que encarou

Lembrou a dura jornada

Trabalhando na FENESA

Encarando a madrugada  

Largando as seis da manhã

Pensando no amanhã

Sua luta foi pesada.

 

Resumindo essa parada

Para não ter que citar

Dezenas de atividades

Em que pôde atuar

Desde a construção civil

Até na ESTUDANTIL

O ÔMI foi trabalhar.

 

Na cultura popular

Atua concomitante

O sujeito foi valente

Da cultura é um amante

Vemos até hoje em dia

Transmitindo alegria

Do humor é comandante. 

 

Boneca ZITA, adiante

Nem nos fale do fiteiro

E das obras do Metrô

Lá no Rio de Janeiro

Breve passagem no Sul

Volta pra Caruaru

Com nosso mamulengueiro. 

 

Padre Pedro o viu solteiro

E Sebá não escapou

Com a MARIA CRISTINA

CORDEIRO DANTAS casou 

Amiga e companheira

Mulher, esposa e parceira

Que Deus lhe presenteou.

 

Deus do céu observou

E fez tudo que bem quis 

Lhe deu MICHELE e EUGÊNIA

SÂMIA e RITA BEATRIZ

São tuas quatro herdeiras

Trabalhe e faça a feira

O principal já te fiz.

 

Em outra fase feliz 

Com “SOLTE O BOI NA RUA”

Encenado em oitenta

Viu que essa “praia” é sua

Com a peça do VITAL

Teve alcance nacional

Deu pra ver “Inté” da lua.

 

Nessa “VIBE” ele atua

Pra criar tem um motor

Ele fez “ZAPT e ZUPT”

“OLHA PRO CEU MEU AMOR”

Teve “TEATRO GARAGEM

MAMUSEBÁ” é bagagem

É ícone do humor.

 

Artista assim de valor

Merece apologia

Lembro “CIDADE INVISÍVEL”

“CANCÃO DE FOGO” eu via

Fez também “CANGAÇO NOVO”

Acompanho a voz do povo

Um repeteco eu queria.

 

Lembro aqui a companhia

“PERNAS PARA CIRCULAR” 

Foi deveras a euforia

É possível assegurar

Que o cabra é criativo

Sebá é artista ativo

Na arte de interpretar.

 

Ele nem pensa em parar

É profissional do riso

Elaborou e montou

Mostrou ser bom de juízo

Criou o MAMUSEBÁ

Um teatro popular

Com essa eu sintetizo.

 

O “estibado” e o liso

Nesta cidade país

Sentado numa cadeira

De uma plateia feliz

Presepada e gargalhada 

Na ESTAÇÃO tem risada

E o povo querendo bis. 

 

A criançada nos diz

Vendo o boneco falar

Dialogando entre eles

Um com o outro “Zoar”

O público ali presente

Tá todo mundo contente

Não quer sair do lugar.

 

Alguém quis testemunhar

Que SEBÁ é bom que só

KYDELMIR DANTAS lembrou

Do filho do Moxotó

Quão bela interpretação

No papel de LAMPIÃO

Fez SEBÁ em MOSSORÓ.

 

Num pingo d’agua deu nó

Em sua apresentação

No Brejo em Fazenda nova

No teatro da paixão

Pelo mundo já foi visto

No chão da paixão de Cristo

Viveu esta emoção.

 

Redobre sua atenção

Que agora vou decifrar

Misturar Sebastião

Com Mamulengo é pra já

Fazendo essa junção

Unidos com perfeição

Resulta Mamusebá. 

 

Jorge Quintino e SEBÁ

Lutaram pra conseguir

No poder legislativo

Uma lei pra Inserir

O “AUTO DAS SETE LUAS

DE BARRO” que continua

Pelas escolas a seguir.

 

É interessante ouvir

Permitir que tal história  

Vida e obra do mestre

VITALINO, já na glória

Filho ilustre da cidade

Exemplo pra humanidade

Perpetue-se na memória.

 

Tão bela tal trajetória

Em solo pernambucano

Não é só no São João

Essa arte do meu mano

SEBÁ é para cultura

O que na literatura

Representa Ariano.

 

Junta mulungu com pano

Pincela algum cacareco

Com ornamento e brilho

Nasce logo um boneco

Que no papel é “carniça”

Se brincar de rezar missa

Eu vou contar pra Tareco.

 

Não precisa ter um treco

Cada qual tem o seu dom

Em Matéria de Boneco

MAMUSEBÁ é tão bom

Falando em titeriteiro

Recordo o mamulengueiro

Da mata norte SOLON.

 

É show também é do som

Dança eu tenho curtido

E os versos de cordel

Pra eles sou todo ouvido

Artista tem seu papel

Dos bonecos no plantel

Qual é o teu preferido.

 

Cada boneco é vestido

Todos de forma hilária

Mesmo quando é esquisita

É linda a indumentária

Eu que em nada combino

Vejo em cada figurino

Combinada a identitária. 

 

A fala é literária

Um sotaque regional

Histórias cotidianas

Me sinto ali tão igual

Com esse idiomatismo

Defendo o regionalismo

E a tradição oral.

 

Desse elenco especial

Tenho a relação inteira

SEBÁ, EDNICE SOUZA

E o EDU OLIVEIRA 

Tem o ALLAN SERAFIM

ROSBERG ADONAY é sim

Assistente de primeira. 

 

Temos o GILMAR TEIXEIRA

E ADEILZA MONTEIRO 

BOB GOMES, LAURO LIMA

Tem “Cabo” que é presepeiro

RITA ARAÚJO “Lisbela”

ANNE BERTO quem é ela

Me responda bem ligeiro.

 

Temos mais um cavalheiro

VALTER DE SOUZA O “Amaro”

Com a MARY GUIMARÃES

RITA BEATRIZ um raro

Talento e experiência

THAYMARA é competência

Todo grupo tem preparo. 

 

Cada personagem é caro

No humor autodidata

“Cobra e boi”, “Ninja”, “Luluca”

“Marimar”, “Pirata lata”

“Chiquinha” e “Marieta”

Quem sabe aí dessa treta

É o “Palhaço Sucata”.

 

Quem souber diga a data

Da próxima apresentação

Pergunte pra “Benedito”

“Otélia” e “Cabo fincão”

O “Tenente Zeca Galo”

“Palhaço Clamobó” falo

“Tessália” é pura ação. 

 

Técnicos trazem emoção

Cada cena se agiganta

Obrigado pelo som

EVERTON, Hyago Dantas 

E as quatro recreadoras

Todas manipuladoras

Com devoção nos encanta. 

 

A poesia aqui decanta

Toda alma de menina

De ZIVANEIDE RODRIGUES

ZAIRA DANTAS e CRISTINA

Tem EMILLY BERNARDINO

As quatro e um divino

Brincar com adrenalina.

 

Sebá ministra oficina

Sua sina é de alteza

A rotina de “SEBÁ”

É dividir tal riqueza

É um sujeito idôneo

É um vivo PATRIMÔNIO

Já provou sua grandeza.

 

Nosso SEBÁ com certeza

Tem grande capacidade

Quem não viu o seu trabalho

Ainda nesta cidade

Eu faço um desafio

Vamos agora, “PARTIU!”

Ver esta celebridade.

 

Durante a atividade

Criança faz a festinha

Pois procura a CANTINA

Pede lanche pra “Baixinha”

E Cristina dá uma “SENHA”

O palhaço chama: VENHA!

E dá uma lembrancinha.

 

Com essa brincadeirinha

Zita acabou de informar

Foi bom ler neste cordel

Que o mamulengo tá lá

Na ESTAÇÃO da alegria

Mamusebá é magia

Vá por lá pra comprovar.

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